Após sucesso de live, cantora paulista Ana Canãs lançará disco com repertório de Belchior

Escrito por Redação, 06:00 / 28 de Agosto de 2020.

Ana Cañas gravará um disco com as composições do cearense Belchior. Cantora paulista está realizando vaquinha virtual para viabilizar o álbum ainda no segundo semestre de 2020

Antônio Carlos Belchior (1946-2017), com seus discos, letras e filosofia, rege a vida de muitos ainda hoje. A obra do cearense é também influência direta para a paulista Ana Cañas, tanto em sua vida artística quanto pessoal. Após o sucesso da live “Ana Cañas canta Belchior”, transmitida em julho, a cantora decidiu gravar um álbum com músicas do compositor. Canções como “Sujeito de sorte”, “A Palo Seco” e “Coração Selvagem” compõem o repertório.

O disco será gravado com os músicos Adriano Grineberg (teclados) e Fabá Jimenez (violão e contrabaixo), que acompanharam Ana no show virtual. A apresentação, base do álbum a ser lançado ainda no segundo semestre de 2020, está disponível no canal da cantora no YouTube e conta com mais de 350 mil visualizações.

Segundo Ana, o álbum não era o plano principal. O nome de Belchior veio à mente quando pensou em fazer uma live especial na pandemia. A cantora, que costuma incluir músicas do artista nos shows, surpreendeu-se com a repercussão.“Não imaginava que isso fosse desembocar num disco, num projeto maior. Mas foram tantas mensagens lindas que recebi do País inteiro, tantos pedidos, que cogitei fazer o disco. Eu fiquei muito emocionada com os textos que recebi, chorei com vários deles”.

Vaquinha
Na tentativa de contornar a difícil situação econômica gerada pela pandemia, Ana contou com a ajuda dos fãs para viabilizar a primeira live e conseguir pagar a lista de profissionais que se encontravam desassistidos, entre eles músicos, técnicos de som e vídeo, produtora, empresária e maquiadora. O mesmo está sendo feito para custear a produção do disco. Por meio de uma vaquinha virtual (http://vaka.me/1287941), já foram arrecadados mais de R$ 10 mil.

“Lembrando que eu não receberei nada. Esse dinheiro é para pagar estúdio, músicos, produção, mixagem, masterização, direitos autorais, capa, design, etc. Qualquer valor alcançado será transformado em estrelinhas e agradecido até o infinito”, reitera a artista na descrição do projeto.“Acredito que, quando pudermos voltar a trabalhar com segurança (para nós e para o público), vamos lançar esse disco e fazer shows, celebrando o encontro. Gostaria de abraçar um por um e agradecer pessoalmente o imenso carinho que tenho recebido com esse projeto”, reconhece.

Experiências
Ana Cañas despontou na noite paulistana como intérprete nos anos 2000. Hoje, após cinco álbuns de estúdio e um registro audiovisual de show, a cantora retorna a antigos hábitos, mas com desafios sempre novos. 

“Sinto como se fosse uma transversal no tempo pra mim, parafraseando a Elis. Eu comecei cantando na noite e, por isso mesmo, tinha uma certa reticência de fazer um projeto totalmente autoral, pois acreditava que ser intérprete era um caminho mais fácil”, explica Ana, já complementando: “Uma besteira, até porque interpretar Belchior está entre as coisas mais difíceis que já fiz na vida! Então é algo novo, totalmente diferente, mas acho que a escolha é perfeita, porque suas letras e mensagens me comovem profundamente. Foi tudo pautado pelo coração”.

Diante do cenário de crise presente no País, a escolha por Belchior, além de sentimental, é também política. “Sua mensagem idiossincrática carrega extrema simplicidade (apesar de complexa e profunda) e conversa subjetiva e diretamente com todas as almas. Ele realmente sintetizou o espírito de um povo, de um tempo, os anseios e questionamentos, dores e regozijos. Não consigo imaginar alguém mais atual”.

Confira o repertório completo:

1. Sujeito de sorte (1976)

2. Apenas um rapaz latino-americano (1976)

3. Divina comédia humana (1978)

4. Velha roupa colorida (1976)

5. A palo seco (1973)

6. Coração selvagem (1977)

7. Na hora do almoço (1971)

8. Comentário a respeito de John (1979)

9. Fotografia 3×4 (1976)

10. Mucuripe (Belchior e Fagner, 1972)

11. Paralelas (1975)

12. Medo de avião (1979)

13. Galos, noites e quintais (1976)

14. Alucinação (1976)

15. Noves fora (Belchior e Fagner, 1972)

16. Tudo outra vez (1979)

17. Como nossos pais (1976)


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