Bolsonaro participa de ato contra Sérgio Moro, Congresso e STF

Por Redação, 23:19 / 03 de Maio de 2020 ATUALIZADO ÀS 23:21

O presidente da República diz que “Forças Armadas estão ao lado de seu Governo” e pediu a Deus para não ter problemas nesta semana porque, segundo ele, “chegou ao limite” e não vai mais “admitir interferência”

O presidente Jair Bolsonaro disse, neste domingo, que as “Forças Armadas” estão ao lado do seu Governo e que pede a Deus que “não tenhamos problemas nesta semana” porque ele “chegou no limite”, “daqui para frente não tem mais conversa” e a Constituição “será cumprida a qualquer preço”. Nos atos a favor do presidente em Brasília, manifestantes chegaram a agredir jornalistas.

“Vocês sabem que o povo está conosco, as forças armadas ao lado da lei, da ordem, da democracia, liberdade também estão ao nosso lado. Vamos tocar o barco, peço a Deus que não tenhamos problema nessa semana, porque chegamos no limite, não tem mais conversa, daqui para frente, não só exigiremos, faremos cumprir a Constituição, ela será cumprida a qualquer preço. Amanhã nomeados novo diretor da PF, e o Brasil segue seu rumo”, afirmou em discurso publicado nas suas redes sociais.

O discurso ocorre na semana em que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu a nomeação do delegado Alexandre Ramagem para a Polícia Federal, e o ex-ministro Sérgio Moro prestou depoimento em ação que tramita no STF que investiga se Bolsonaro tentou interferir na PF para ter acesso ilegal a inquéritos sigilosos que miram seus filhos e apoiadores.

Manifestações

Neste domingo, o presidente voltou a prestigiar manifestações no Palácio do Planalto em favor de seu Governo e repleta de palavras de ordem contra o Supremo e o Congresso Nacional. “O que nós queremos é o melhor para o nosso País, a independência verdadeira dos três Poderes, não apenas uma letra da Constituição. Chega de interferência, não vamos mais admitir interferência, acabou a paciência. Vamos levar esse Brasil para frente”, disse Bolsonaro.

O presidente também afirmou que a manifestação organizada em Brasília foi espontânea, com chefes de família, “pela governabilidade, democracia e liberdade”. Ele disse ainda que tem o povo ao seu lado e as Forças Armadas ao lado do povo pela “lei, ordem, democracia e liberdade.

Isolamento

Ao defender a volta ao trabalho, o presidente disse que “infelizmente” muitos serão infectados pelo novo coronavírus, e que muitos perderão suas vidas, mas emendou afirmando que “é uma realidade, que temos que enfrentar”.

“O País de forma altiva vai enfrentar seus problemas, sabemos do efeito do vírus, mas infelizmente muitos serão infectados, infelizmente muitos perderão suas vidas também, mas é uma realidade, e nós temos que enfrentar. Não podemos fazer com o que o efeito colateral do tratamento do combate ao vírus, seja mais danoso que o próprio vírus”, disse o líder da República.

Bolsonaro também afirmou que o Brasil “como um todo” reclama pelo volta ao trabalho e que governadores “irresponsáveis” estão destruindo empregos. “Brasil como um todo reclama volta ao trabalho, essa distribuição de empregos irresponsável por parte de alguns governadores é inadmissível, o preço será muito alto na frente, desemprego, miséria”, afirmou.

Agressões

No ato em Brasília, apoiadores do presidente agrediram com chutes, murros e empurrões uma equipe de jornalistas que acompanhava a manifestação. Diversas autoridades se manifestaram a favor da liberdade de imprensa e contra os ataques.

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, defendeu o jornalismo profissional como forma de combater o “ódio, a mentira e a intolerância”.

“Dia da liberdade de imprensa. Mais que nunca precisamos de jornalismo profissional de qualidade, com informações devidamente checadas, em busca da verdade possível, ainda que plural. Assim se combate o ódio, a mentira e a intolerância”, postou Barroso no início da tarde em uma rede social.

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, afirmou em sua conta oficial no Twitter que “democracia, liberdades – inclusive de expressão e de imprensa – Estado de Direito, integridade e tolerância caminham juntos e não separados”.

ANJ repudia violência

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) repudiou as agressões sofridas por jornalistas do “Estadão”. “Além de atentarem de maneira covarde contra a integridade física daqueles que exerciam sua atividade profissional, os agressores atacaram frontalmente a própria liberdade de imprensa. Atentar contra o livre exercício da atividade jornalística é ferir também o direito dos cidadãos de serem livremente informados”, diz a nota.

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