Busca por remédios e vitaminas triplica durante pandemia no Ceará

Por Redação, metro@svm.com.br 23:00 / 12 de Maio de 2020 ATUALIZADO ÀS 23:08

Substâncias ainda pesquisadas e compostos já conhecidos tiveram procura intensa nas farmácias, e a automedicação preocupa especialista quantos aos efeitos e à falta de estoque dos medicamentos

As substâncias em análise por pesquisadores no combate ao novo coronavírus alimentam a esperança por um tratamento eficaz e, no entanto, geram também uma preocupação: a corrida às farmácias em busca de remédios para automedicação. Por esse motivo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aumentou o rigor na comercialização de três medicamentos que, segundo a instituição, aparecem em pesquisas para tratar a Covid-19, a cloroquina, hidroxicloroquina e nitazoxanida, e exige a retenção da receita na compra.

Além disso, outros medicamentos também têm sido altamente buscados. No Ceará, a procura por analgésicos, antitérmicos, vitamina C, D e do complexo de A a Z – além das medicações que exigem prescrição como os antibióticos, azitromicina e derivados -, triplicaram neste período, como dimensiona o Sindicato do Comércio Varejista dos Produtos Farmacêuticos do Estado do Ceará (Sincofarma).

“Estão comprando para se precaver, mas os laboratórios continuam fabricando, o que acontece é que as pessoas estão acabando com o estoque do produto. Aconselho que deixe para comprar apenas quando estiver necessitando”, pontua Antônio Félix, presidente do Sincofarma.

Eficácia

Com a propagação da Covid-19 no Estado, a “antena fica mais ligada”, na definição do técnico em telecomunicações, Rogério Scotti, de 58 anos. “Não era rotina tomar vitamina C todos os dias, mas sempre tive em casa com os antigripais e, com a chegada do corona, comprei um só. Mas quando acabou, e eu fui procurar, não tinha mais, sumiu das farmácias”, observa.

A busca acontece quando a sinusite e a tosse alérgica, intensificadas no calor e com os pelos dos gatos da casa, atingem Rogério com mais força. Ele segue as orientações da bula e avalia que a alternativa é mais cômoda.

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“Quando eu sinto que estou com sintoma razoável, tomo antigripais e antialérgico, às vezes. Como a gente está nessa fase de coronavírus temos de tentar manter a imunidade razoável“, acrescenta. As vitaminas comprovadamente eficazes na prevenção de infecções são do tipo D e o zinco, como explica o médico, professor de medicina tropical da Universidade Federal do Ceará, Ivo Castelo Branco. “Elas não previnem o coronavírus, mas deixam as pessoas mais saudáveis e a probabilidade de ter casos mais graves diminui”, pondera o médico.

As substâncias pesquisadas, reforça o especialista, devem ser administradas apenas por médico devido aos efeitos ainda estudados. “Não existe nenhum remédio efetivo contra o novo coronavírus, mas vendo o que foi feito em outros países, adaptando a nossa realidade nos pacientes que têm corona, as formas de conduzir o tratamento variam por semana e nem sempre tem remédio específico para isso”.


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