Cagece discute reestruturação acionária ainda este mês

Mudança na estrutura de ações da companhia estatal é passo para abertura de capital na Bolsa de Valores. Assunto será pauta de assembleia geral extraordinária convocada pela Cagece para o próximo dia 26

Cumprindo mais uma etapa para o processo de abertura de capital, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) realizará no próximo dia 26 uma assembleia geral extraordinária (AGE) para tratar da reestruturação acionária da companhia, dentre outros assuntos. Se aprovada pelo conselho, ações ordinárias (com direito a voto) de titularidade do Estado do Ceará e do Município de Fortaleza serão convertidas em ações preferenciais (sem direito a voto) e será criada de uma nova classe de ações preferenciais. O período de conversão é de cinco dias após aprovação na AGE.

“O que se observa é uma reestruturação acionária pensando no IPO (sigla para oferta inicial de ações, em inglês) da companhia”, diz o economista Ricardo Coimbra, presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE). “Na medida em que você tem uma perspectiva positiva de valorização das ações, de valorização da companhia, você vai avançando esse processo. E, hoje, temos uma perspectiva de estabilidade, com juros mais baixos, o que torna o investimento em empresas mais vantajoso para potenciais acionistas que queiram investir no curto, médio e longo prazo”.

Coimbra avalia que a entrada de mais uma companhia cearense no mercado de capitais deverá ter um impacto significativo para a economia do Estado, seja na atração de novos investidores ou na abertura de mais empresas locais. “Na medida em que você tem grandes companhias do Estado se estruturando, buscando se capitalizar através do mercado de capitais, isso mostra uma nova dinâmica da economia do Estado, gerando uma perspectiva de que novas empresas se estruturem para isso. Já temos o exemplo da M. Dias Branco, Hapvida, da Arco e a tendência é que a gente tenha cada vez mais esse processo enraizado na cultura do empresariado cearense”, diz.

Divisor de águas

Para Raul dos Santos, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Ceará (Ibef-CE), o IPO da Cagece será um “divisor de águas” para o Ceará, por ser uma empresa controlada pelo Estado e pela Prefeitura de Fortaleza, diferente dos IPOs anteriores, de empresas de capital privado. “Haverá uma oferta primária, que irá para o caixa da companhia, e uma oferta secundária, que irá para os controladores. Isso gera recursos para o Governo do Estado e para a Prefeitura de Fortaleza que poderão ser usados em outros investimentos. E a Cagece, entrando no mercado de capitais, ela passará a ter acesso a recursos mais baratos, dos acionistas”, diz.

Raul dos Santos ressalta, no entanto, que se por um lado a Cagece irá aumentar a sua capacidade de investimentos, por outro terá de cumprir maiores exigências de governança e apresentar resultados ao mercado. “O nível de exigência será maior para todos os executivos da empresa. Para o Estado do Ceará, eu vejo isso como positivo”, diz. O Governo do Ceará detém 88,4% da companhia e a Prefeitura de Fortaleza, 11,4%.

Questionada sobre a previsão de data para o IPO e quais serão os próximos passos após a AGE do dia 26, a Cagece informou que “os encaminhamentos relativos às pautas ainda serão deliberados durante a assembleia”.

Prospecto preliminar

Em dezembro de 2019, a Cagece protocolou prospecto preliminar junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para realizar seu IPO. A oferta será primária e secundária, tendo como acionistas vendedores o Governo do Ceará e a Prefeitura de Fortaleza.

“Acreditamos ser uma das empresas do setor público de saneamento com um dos maiores potenciais de crescimento nos próximos anos, principalmente com relação aos nossos serviços de esgotamento sanitário”, informou a companhia na ocasião. Bradesco BBI e a XP Investimentos coordenam a oferta.

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