Ceará e Fortaleza cogitam realização de jogos nos CTs após pandemia

Por André Almeida, andre.almeida@svm.com.br 23:00 / 14 de Maio de 2020 ATUALIZADO ÀS 23:14

Com a certeza de que as partidas ocorrerão com portões fechados quando o futebol for retomado, a alternativa pode reduzir custos para os clubes do Estado. FCF ainda não tem parecer sobre essa possibilidade

Na Europa, alguns países que acreditam já ter superado o pico da pandemia do novo coronavírus começam a dar os primeiros passos para a volta do futebol. Porém, no Brasil, e mais especificamente no Estado do Ceará, isto ainda é uma grande incógnita. Certo é que, quando forem retomados, os jogos deverão ocorrer com os portões fechados, e Ceará e Fortaleza já buscam uma possível alternativa para isso: realizar partidas em seus próprios Centros de Treinamento.

Em um cenário normal, a alternativa é impensável. Não há, além dos estádios, nenhum outro palco esportivo com estrutura para receber jogos oficiais. Porém, sem a presença de torcida, esta realidade pode mudar, e o fator econômico pode ser decisivo para isso.

Inclusive, já há conversas neste sentido, como destaca Robinson de Castro, presidente do Ceará.

“Eu tinha falado com o Mauro (Carmélio, presidente da Federação Cearense de Futebol) que precisamos utilizar o nosso equipamento, porque só temos o Castelão à disposição, e vai ser impossível tudo ocorrer no Castelão. Tem jogos com maior capacidade, outros nem tanto, imagino que alguns podem ser em Carlos de Alencar Pinto, Itaitinga, temos que procurar desburocratizar algumas coisas, para que se diminua custos e consiga realizar a competição com várias rodadas. É algo que temos conversado, é bem razoável de acontecer”, destacou o mandatário alvinegro, em entrevista ao Sistema Verdes Mares.

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CT Cidade Vozão, em Itaitinga, é uma das opções do Ceará para mandar jogos sem torcidaFOTO: KID JUNIOR

Jogar em seus próprios campos, de fato, significa menor gasto, já que não haverá despesa com aluguel do estádio, por exemplo. Para se ter uma ideia, em 2019, o Ceará registrou R$ 8,4 milhões em despesas com jogos, segundo balanço financeiro divulgado pelo clube. O Fortaleza teve custo operacional praticamente idêntico, de R$ 8,3 milhões.

É importante destacar que os valores correspondem às despesas em jogos, e não ao resultado (lucro ou prejuízo) dos borderôs. E que partidas sem torcedores geram despesas menores, também, com logística, operação, segurança, etc. Entretanto, o custo para realização de um jogo na Arena Castelão, por exemplo, segue sendo maior que para uma partida realizada em Porangabuçu ou no CT Cidade Vozão, no caso do Ceará, e no Pici ou CT Ribamar Bezerra, no caso do Fortaleza.

Entretanto, é preciso que haja estrutura e condições para se realizar jogos nestes locais, sobretudo pela logística de televisionamento, como lembra o presidente Marcelo Paz, do Tricolor do Pici.

“Eu não vejo problema nenhum, se puder jogar onde treina temos uma vantagem e estamos com espaço aberto. Agora, se for televisionado, tem que ter uma estrutura para receber. No caso, precisaríamos de alguma adaptação no CT, mas o gramado em si, vejo com muitos bons olhos”, disse ele.

Caso haja condições, esta será uma forma também de preservar o gramado da Arena Castelão, tendo em vista que é o único estádio da capital cearense com condições de receber jogos de futebol (o PV está servindo como hospital de campanha no combate ao novo coronavírus e não tem data definida para voltar a ser utilizado para eventos esportivos) e lá serão realizados todos os jogos de Ceará e Fortaleza na Série A do Campeonato Brasileiro.

Cautela

Mesmo assim, a Federação Cearense de Futebol (FCF) mantém cautela sobre essa questão. A preferência da entidade é que todas as partidas sejam mesmo realizadas na Arena Castelão.

“Não creio que necessitaremos. O Castelão está apto e faltam poucos jogos para o Estadual”, destacou o presidente da entidade, Mauro Carmélio.

Vale lembrar que outros clubes também poderão seguir o mesmo caminho proposto por Ceará e Fortaleza. Nesta edição do Campeonato Cearense, o Ferroviário já mandou alguns de seus jogos na Vila Olímpica Elzir Cabral, de sua propriedade.

O Tubarão da Barra, inclusive, estuda a possibilidade até de requerer o direito de jogar partidas da Série C do Campeonato Brasileiro no Elzir Cabral. E também alugá-lo para equipes, como o Floresta, que não tem estádio. E não poderá utilizar o PV.

Quando ainda era Uniclinic, o atual Atlético/CE também realizou partidas no Estádio Antônio Cruz, local da sede da Águia da Precabura, que fica na Lagoa Redonda, na Capital cearense.

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