‘Cobra Kai’ retorna com 3ª temporada morna, mas ainda cheia de pontos positivos

Escrito por Mylena Gadelha, 10:00 / 05 de Janeiro de 2021.

Série agora é oficial da Netflix e já tem as duas próximas temporadas confirmadas no streaming

Expectativas nunca são uma boa forma de começar algo, já que esperar demais pode ser frustrante. Dito isto, não vejo forma melhor de pensar para começar a análise da 3ª temporada de ‘Cobra Kai’, série antes produzida pelo Youtube Originals e agora oficialmente nas mãos da Netflix. Lançada no dia 1º de janeiro -quase um presente para os fãs nessa virada de ano- a série retoma os arcos suspensos de forma trágica no fim da última leva de episódios, que tiraram o fôlego dos espectadores e criaram a energia de espera para estes novos. No entanto, talvez seja aí onde mora o problema: com o fim de uma temporada cheia de reviravoltas e grandes trunfos, o que esperar da resolução desses conflitos? No geral, não espere tanto.

A grande briga na escola, claro, deixou consequências. Sem muitos spoilers, já nos primeiros minutos da história podemos ver como os acontecimentos causados após a luta entre os dojos Cobra Kai e Miyagi-Do foi capaz de transformar a vida dos personagens em tela. Miguel (Xolo Maridueña) e Robby (Tanner Buchanan) parecem ser os mais afetados, com um deles no hospital e o outro desaparecido. No entanto, é possível notar a grande importância dos dilemas envolvendo Jonny Lawrence (William Zabka) e Daniel LaRusso (Ralph Macchio), quase como se os quatro fossem dois pares de protagonistas, com as vidas entrelaçadas e conflitos internos que perpetuam a rivalidade original de ‘Karatê Kid’.

Cobra Kai
Legenda: Xolo Maridueña é um dos melhores do novo ano. Confortável na pele de Miguel, o ator consegue ser bom tanto no drama como na comédiaFoto: Divulgação/Netflix

Lembrando do filme original, inclusive, não existe maneira de deixar passar como a terceira temporada é repleta de autorreferências. O retorno de personagens de ‘Karatê Kid 2’ (1986), por exemplo, é um sinal de como a série tem buscado uma mistura entre renovação e inspiração nos produtos lançados há décadas. Cabe aqui ressaltar que a relação entre Johnny e Daniel, por exemplo, sempre acaba retornando como importante ao roteiro, tanto como uma forma de aproveitar o carisma entre os dois opostos, que se desentendem a todo instante, como também de deixar claro que é em ambos onde se inicia e se encerra a lição de ‘Cobra Kai’.

Nesse meio, enquanto Daniel e Johnny brincam em uma gangorra de atitudes boas ou más, temos John Kreese. Tratado como o grande vilão do terceiro ano nos materiais de divulgação, ele aparece em diversos “flahsbacks”, utilizados para contar a história do personagem antes da participação do mesmo como sensei em ‘Karatê Kid’. E aqui também já se pode apontar um dos erros da história. Apresentado como um homem sem escrúpulos inicialmente, a série retoma o caminho dele para mostrar que nem todas as personalidades da série são dicotômicas, que não se exclui o bem e o mal totalmente. É nessa tentativa que se escorrega na humanização de Kreese, quando na verdade bastava apresentar um personagem no qual quem assiste não precisasse se questionar.

Ainda assim, não é nesse ponto onde Cobra Kai peca com maior força. Mesmo com os episódios curtos, o que traz a sensação de agilidade à trama, a série prolonga diversas histórias para além do desejado. Talvez como forma de segurar alguns conflitos para as próximas temporadas já confirmadas no streaming ou para manter o suspense característico, opta por não finalizar diversos arcos da narrativa, tirando a atenção de quem assiste muito rapidamente. Um verdadeiro problema em meio às tentativas cada vez mais frequentes no audiovisual para fidelizar um público.

Acertos

Quem estiver lendo a coluna dessa semana pode achar o tom crítico demais, o que não é tão verdade. Assim como nos dois anos anteriores, ‘Cobra Kai’ é repleta de pontos positivos e ainda possui a capacidade primorosa de fazer uso deles a todo momento, é preciso admitir. O maior deles talvez seja a brincadeira constante com as atitudes toscas dos personagens. Em meio aos diálogos  vergonhosos, que nos fazem questionar a qualidade do que é visto em cena, a série continua apostando no balanço entre humor e drama para mostrar os problemas da luta no Vale. Aqui, com toda certeza, continua chegando ao ponto alto com maestria.

Cobra Kai
Legenda: Assim como nas cenas solo, Zabka e Maridueña funcionam bem juntos, mostrando como a relação entre o jovem e o sensei é promissoraFoto: Divulgação/Netflix

Outro acerto é continuar focando na nova geração de personagens envolvendo Karate Kid. Os personagens principais do conteúdo original estão ali, mas os jovens ansiosos por aprender mais da arte milenar do caratễ são parte da melhor característica nesse novo ano. Vale destacar, sem dúvidas, o trabalho de Xolo Maridueña como Miguel. Ele ainda continua entregando algo maior que a média, e a química com Zabka consegue funcionar tanto em cenas mais tristes como nos momentos mais felizes dos episódios.

No geral, a terceira temporada de Cobra Kai termina com bom saldo. Apesar de não ser tão impressionante como o segundo ano, é possível delimitar o amadurecimento dos personagens e dos enredos nos quais estão inseridos. Com as duas próximas já confirmadas, resta saber o que a Netflix tem preparado para a série que é uma das queridinhas da internet atualmente, e acreditar que esta funciona como uma ponte para o que vem por aí.MYLENA GADELHA



ASSUNTOS RELACIONADOS

Artes Cultura e EntretenimentoArtes Cultura e Entretenimento/série


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.