Com segurança, Ceará e Fortaleza intensificam treinos presenciais

Atletas vivem expectativa de retorno das competições, previstas para julho, e participam de protocolos rígidos de segurança. O foco das atividades é o recondicionamento físico para a maratona de jogos da temporada

Os protocolos de segurança e prevenção à Covid-19 adotados por Ceará e Fortaleza são tidos como modelos na esfera nacional. Passados 18 dias desde a autorização estadual ao retorno das atividades presenciais, os representantes cearenses na Série A do Brasileiro seguem com cuidados ampliados no trato com o elencos: a rotina mudou e mantém restrição.

Mesmo com conjunto de ações específicas e trabalhados por cada um dos departamentos médicos, a construção das medidas é mútua e acompanhada da Federação Cearense de Futebol (FCF). Com base em experiências internacionais, a exemplo da desenvolvida na Alemanha, a flexibilização passa pela diminuição da pandemia na região. E apesar da indefinição de datas para retorno do Estadual ou demais competições – a previsão é de reinício dos jogos em julho – a realização de exercícios nos Centros de Treinamento tem impacto imediato no atleta profissional.

“A diferença é porque procuramos fazer os trabalhos que a comissão técnica passou em casa, mas a intensidade no CT é totalmente diferente. A gente treinou em casa para não vir despreparado e conseguir aguentar a carga de treinos. É mais para mantermos o corpo ativo, aqui (no CT) é onde a se recondiciona”, explicou o meia Felipe Silva, jogador do Ceará.
A parte física se sobressai no discurso pelo excesso de partidas a jogar, aquelas suspensas ao longo dos últimos dois meses e realocadas para o decorrer da temporada. No Castelão, o registro final é de uma vitória alvinegra sobre o Sport por 2 a 1, pela Copa do Nordeste, no dia 15 de março.

No caso do Leão, a exibição foi um dia antes, com 3 a 0 no Náutico, pela mesma competição, mas em Pernambuco. “Na volta, será uma readaptação, jogamos pouco mais de dois meses, alguns 15 jogos, o que jogou mais. Então essa readaptação vai ser mais demorada que o normal. Se parar um mês, fazendo as atividades, a gente sabe que o corpo não está muito ativo, memória corporal inativa, três é mais complicado”, reforça o zagueiro Paulão.

O panorama geral é de necessidade de entrega e combate ao tempo, de modo a recuperar o máximo possível do aspecto físico e técnico em poucos dias de preparação. A denominada intertemporada, o período de paralisação e foco nos treinos com o calendário em curso, é o ponto de prospecção sobre o futuro dos clubes no cenário competitivo.

Treinos graduais
A necessidade de evolução dos atletas é condicionada à administração dos riscos de contágio da pandemia. O processo é gradual e sempre monitorado através de exames diagnóstico periódicos do novo coronavírus nos funcionários do clube: o Vovô finalizou a 3ª rodada de testagem no último dia 12, enquanto o Leão inicia o mesmo ciclo.

“Desde o momento que pisa no CT é totalmente monitorado, tudo controlado. A gente chega a tomar um susto porque é tanto protocolo para ser seguido que impressiona. Nos sentimos muito seguros para trabalhar, são muitos cuidados, como uso máscara e exame de rotina quase semanalmente”, afirma o defensor alvinegro Tiago Pagnussat.
Primeiro time do Estado a iniciar as atividades em campo, o Vovô definiu um sistema gradual de segurança durante os treinamentos. 

Com atletas espaçados em dois turnos, para diminuir o contato e a chance de aglomeração, o início dos exercícios foi com oito grupos, registrando movimentação entre o intervalo das 8h às 19h. Assim, a interação era restrita aos companheiros do mesmo chaveamento com exercícios físicos individuais. A partir da testagem, os grupos foram encurtados para quatro e agora são dois em Porangabuçu, alternados entre manhã e tarde.

“É uma realidade nova, não se sabe como será o calendário ou protocolo de jogo, então é uma preparação diferente. O técnico Guto Ferreira tem batido muito nisso, que a intensidade e a concentração do jogo serão as mesmas do treino porque não vai ter nenhum fator externo para interferir, então devem ter esse lado psicológico forte”, diz Jorge Macedo, diretor executivo do Ceará.

A única baixa do comandante é Leandro Carvalho. Em recuperação de um procedimento cirúrgico de apendicite, o atacante será reintegrado até o fim da semana. Com elenco completo, a expectativa é de treinos com o plantel inteiro começando em breve.

No aguardo
A diretoria do Fortaleza conduz as atividades no CT RIbamar Bezerra, em Maracanaú, pela maior estrutura ofertada no equipamento – como alojamentos individuais e número de campos. Após uma fase individual, os trabalhos são conduzidos com cinco grupos – sendo um composto por goleiros – sempre no turno da tarde: das 15h às 16h15 e 16h20 até 17h35.
“A gente trabalha com a mesma motivação (no treino), como se o jogo fosse amanhã. Sempre assim para quando decidirem voltar (os jogos), estarmos dando o máximo”, declara o lateral Bruno Melo.

Legenda: Durante o período de retomada, o treinador Rogério Ceni tem projeto exercícios de fundamento técnico aos atletas leoninosFoto: Bruno Oliveira / Fortalezaec

A intensidade é uma das principais exigências de Rogério Ceni ao plantel. Durante o período de retomada, o treinador tem projetado exercícios de fundamento técnico aos atletas. “Estamos usando três campos, então cada grupo trabalha isolado do outro, com toda a segurança. No momento, é tudo mais dedicado ao trabalho físico, mas o Rogério monta circuitos também, tem uma variação. Em uma atividade dele, o atleta faz cinco circuitos e tem de driblar cones e pular para cabecear, aprimorando os fundamentos”, afirma Daniel de Paula Pessoa, diretor de futebol tricolor.

Dentro do planejamento estratégico de segurança, o clube aguarda uma nova posição do Governo do Estado para mudar o formato das atividades e tornar os treinos mais coletivos. Apenas o volante Michel segue fora dos exercícios por efetuar tratamento de uma lesão no joelho.

Retomada
Vale ressaltar que a flexibilização do isolamento social e a liberação dos treinos presenciais aos clubes integrantes da 1ª divisão do Campeonato Cearense faz parte do plano de retomada estadual da economia. As equipes foram contempladas na etapa de transição do projeto, desde que protocolos de saúde fossem executados para garantir a segurança dos colaboradores.

Com a diminuição da incidência da doença na região, a Capital avançou para a fase 1, apresentando maior liberdade para novos segmentos. A FCF trabalha para, em caso de aval das autoridades sanitárias, retomar o Estadual na fase 3. Ao todo, são quatro módulos, cada um com duração de 14 dias.

Para encerrar o Campeonato Cearense, a FCF trabalha com 5 datas em 11 jogos distribuídos em 15 dias. Por isso, até na se iniciar na fase 4 – iniciando no dia 20 de julho – seria viável encerrar o campeonato no fim de julho ou inicio de agosto. 

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