Começa colheita de arroz irrigado na bacia do Orós

Escrito por Honório Barbosaregiao@svm.Com.Br 23:00 / 13 de Dezembro de 2020.

A safra sinaliza retomada do plantio em larga escala, após três anos seguidos de queda por causa da escassez de água no reservatório. Agora, a retomada é iniciada e agricultores estão otimistas para o futuro

No entorno do açude Orós, nos municípios de Iguatu Quixelô, na região Centro-Sul cearense, chegou a época da colheita de arroz irrigado. O grão que é amplamente consumido no dia a dia é uma fonte de renda para os pequenos produtores. O aumento do preço do produto e a recarga do reservatório impulsionaram o plantio nas vazantes do reservatório neste segundo semestre.

O clima é de trabalho e de alegria entre os rizicultores, nas várzeas do segundo maior reservatório do Ceará. “A safra está melhor do que a gente esperava, rendeu muito”, disse o agricultor Francisco Chagas, que colheu 48 mil quilos em uma área de seis hectares. “Quem plantou se saiu muito bem”, disse Chagas.

Neste ano, foram cultivados cerca de 500 hectares e a expectativa é de uma safra de 4.000 toneladas. No triênio 2017 a 2019, por causa da redução de volume de água no açude, a área de cultivo do grão irrigado quase desapareceu.

No ano passado, foram cultivados apenas 40 hectares. Uma queda de 98% em comparação com as décadas de 1970 a 1990, quando a atividade prosperou e eram cultivados cerca de dois mil hectares, em média.

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iguatu, Evanilson Saraiva, que mora no entorno do açude Orós, lembrou que “a queda de preço do produto foi o grande desestímulo para o abandono da atividade por parte dos agricultores”, afirmou Evanilson Saraiva.

Neste ano, o preço voltou a ser favorável. A saca de 60kg do grão em casca é vendida na roça por R$ 115,00 para corretores de usinas de beneficiamento de Iguatu, Icó e Morada Nova. Há duas semanas, o preço da saca de 60kg oscilou entre R$ 100,00 e R$ 110,00.

Na safra passada, a saca de 60kg do arroz em casa foi vendida pelos produtores, na roça, por R$ 70,00. Em 2018, a situação foi pior, porque o preço máximo da mesma quantidade caiu para R$ 45,00.

O agrônomo Tenório Cavalcante frisou que o cultivo tende a voltar a níveis anteriores. “Essa é a tendência, porque o preço está satisfatório. E se o Orós receber mais água em 2021, o plantio de arroz irrigado será ainda maior”, pontuou. “Podemos ter no próximo ano uma safra recorde e uma área cultivada em torno de três mil hectares”.

José Bento Teixeira vai colher, a partir do próximo dia 15, cerca de 40 mil quilos do grão. “Esta safra está dando tudo certo, preço bom e muita produção”, comemorou o produtor rural.

Volume

Atualmente, segundo o Portal Hidrológico da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), o Orós acumula um volume de água de 21,8%, mas nessa mesma época, em 2019, estava apenas com 5,2%.

Os produtores apontam que entre 50% e 70% do volume é o nível satisfatório para a expansão do cultivo de arroz irrigado porque “beneficia as melhores terras e uma maior quantidade de produtores”, observa Saraiva.

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