Covid-19: oito municípios da RMF têm taxas de letalidade superiores à média do Ceará

Por Alexandre Mota e Felipe Mesquita, metro@svm.com.br 06:00 / 20 de Maio de 2020

Enquanto a letalidade pelo novo coronavírus atinge a marca de 6,6% no Ceará, oito das 19 cidades da RMF apresentam taxas superiores, como Trairi, que chega a 13,3%

Com 28.112 casos confirmados e 1.856 óbitos causados pelo novo coronavírus no Ceará, é possível perceber o poder de migração do vírus para as diversas regiões do Ceará. Apenas quatro municípios não tiveram registro, conforme a última atualização do IntegraSus, às 17h07 de terça-fera (19). No entanto, ainda é na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) que a Covid-19 se mostra ainda mais acentuada.

Oito das 19 cidades no raio da RMF acumulam alta incidência de óbitos pela doença, apresentando taxas individuais de letalidade superiores à média estadual de 6,6%.

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Os municípios são: Paraipaba (7,5%), Fortaleza (7,8%), Itaitinga (9,3), Pacatuba (10%), Maracanaú (11%), Maranguape (11,4%), Pindoretama (12,9%) e Trairi (13,3%), que tem o pior índice, isto é, de cada 100 infectados, 13 não resistem à pandemia.

Essa taxa reflete a quantidade de mortes entre os casos confirmados de coronavírus. Os índices, no entanto, seguem uma crescente pequena diante da quantidade total de acometidos com a Covid-19. A conclusão é do infectologista Anastácio Queiroz, que ressalta a necessidade de uma ampliação da testagem na RMF.

“Para falar de taxa de letalidade, precisaríamos ter clareza no número de pessoas infectadas e, na realidade, esse número é falho porque olhamos mais as pessoas graves. Se testa apenas pessoas muito graves, vou ter uma letalidade muito alta porque um outro percentual fica escondido. Quando testamos pouco, testamos mais graves ou internados. Diria que não testamos nem 5% das pessoas que adoecem nessas regiões, tenho certeza”, explica ele, apontando ainda uma grande subnotificação. No Ceará, são 41.351 casos em investigação.

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Relação com Fortaleza

A proximidade geográfica com a Capital – epicentro da doença no Ceará com 59,7% do total de casos confirmados – também facilita a rápida disseminação da Covid-19 na Região Metropolitana. O mesmo movimento que aconteceu em Fortaleza, quando os casos se espalharam, primeiramente dos bairros Dionísio Torres, Meireles e Aldeota, e hoje já chega às áreas periféricas com a letalidade ainda maior que nos bairros onde iniciaram os casos.

No âmbito estadual, um exemplo é Maranguape, distante apenas 27 quilômetros da Capital, que aponta 11,4% de taxa de letalidade da doença. Com o intenso deslocamento de seus habitantes para Fortaleza, o vírus tem ainda mais facilidade de chegar ao município.

Mariana Fernandes, 23 anos, acadêmica de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará (Uece), mora no distrito de Jubaia, em Maranguape, mas explica que precisou ir para Fortaleza mesmo durante a quarentena. Caminho mais difícil desde que barreiras sanitárias foram instaladas nos limites da cidade.

“Para ir, eu e minha mãe precisamos fretar um carro. Foi bem complicado, a frota de ônibus está muito reduzida. Agora não tem nem como ir lá porque teve o lockdown, então tem uma fronteira na divisa de Maranguape que não deixa passar se não for trabalhar ou tiver problema sério”, justifica.

No entanto, a estudante também pontua a falta de informação e fiscalização nas medidas de isolamento social como um agravante para a localidade. “Percebo que as pessoas são bem teimosas aqui, estão vivendo como se nada estivesse acontecendo. Tem gente saindo sem máscara e só não entram no supermercado assim porque os estabelecimentos não deixam entrar sem”, afirma.

Em nota, a Secretaria de Saúde de Maranguape informou que “há um elevado número de pessoas que trabalham em serviços essenciais na capital cearense e em outras cidades, e acabam transitando entre um município e outro”. A pasta ainda comunicou que o “uso de máscara é obrigatório e são realizadas fiscalizações da Vigilância Sanitária, Guarda Municipal, Polícia Militar e Secretaria do Ambiente e Controle Urbano para orientar a população”.

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