CPI espera ouvir nesta quinta lobista que apresentou atestado médico para não comparecer

A CPI da Covid ouve nesta quinta-feira (2) o depoimento do advogado Marconny Albernaz Ribeiro, suposto lobista da Precisa Medicamentos — empresa que intermediou a compra, pelo governo, de doses da Covaxin.

Marconny Albernaz chegou a apresentar um atestado médico para não comparecer. Mas, de acordo com o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o médico responsável pelo documento manifestou à comissão a intenção de cancelar o atestado.

Segundo o senador, o profissional de saúde teria notado uma “simulação” do lobista e, por isso, quis revogar a medida. Após a conversa com o médico, a CPI decidiu manter o depoimento do lobista.

Randolfe: ‘O não comparecimento de Marconny acarretará em sua condução por força policial’

–:–/–:–

Randolfe: ‘O não comparecimento de Marconny acarretará em sua condução por força policial’

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), já disse que recorrerá à Justiça para garantir o depoimento do advogado, caso ele não compareça.

Na CPI, Marconny deve ser questionado pelos senadores sobre sua suposta atuação na negociação do contrato bilionário do Ministério da Saúde com a Precisa, para a venda da vacina indiana Covaxin. O negócio acabou cancelado por suspeita de irregularidade.

Os senadores também querem ouvir de Marconny respostas sobre a participação dele na venda de testes contra a Covid-19 ao poder público. Apurações conduzidas pelo Ministério Público Federal, compartilhadas com a CPI, apontam que Marconny teria encaminhado mensagens com explicações sobre processo supostamente irregular para aquisição de testes.

“A CGU aponta evidências de tentativa de interferência no processo de chamamento público para contratação direta de 12 milhões de testes de Covid-19 com a ajuda de Roberto Dias [então diretor de logística do Ministério da Saúde], para beneficiar a empresa Precisa Medicamentos”, afirma o autor do pedido de convocação de Marconny, Randolfe Rodrigues.

“As mensagens reforçam as suspeitas sobre a atuação de Roberto Dias no MS e deixam claro existir de fato um mercado interno no Ministério que busca facilitar compras públicas e beneficiar empresas, assim como o poder de influência da empresa Precisa Medicamentos antes da negociação da vacina Covaxin”, completa o parlamentar pelo estado do Amapá.

Além disso, a CPI quer saber qual a relação do lobista com integrantes da família do presidente Jair Bolsonaro. Documentos obtidos pela comissão mostram que Jair Renan Bolsonaro, um dos filhos do presidente, abriu uma empresa de eventos com ajuda de Marconny.

Conversas no telefone do lobista foram copiadas a pedido do Ministério Público Federal no Pará e enviadas à CPI. Jair Renan Bolsonaro trocou pelo menos uma centena de mensagens com o lobista.

Por Gustavo Garcia, G1 — Brasília

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.