“Enola Holmes” é longa dinâmico e divertido com atuação precisa de Millie Bobby Brown

Escrito por Mylena Gadelhamylena.gadelha@svm.com.br 08:00 / 29 de Setembro de 2020.

Novo filme da Netflix já quebrou recorde e alcançou liderança na lista dos mais vistos em 78 países

Misturas entre enredos clássicos e contextos mais dinâmicos podem ser coisas a arriscadas a se fazer em um roteiro ou em jogos de cena, mas quando funcionam sem grande esforço acabam sendo a fórmula para uma narrativa minimamente agradável. Para mim, este é, talvez, o ponto principal a ser ressaltado de “Enola Holmes”, lançado pela Netflix na última quinta e que já alcançou marcas como o filme líder em audiência do serviço de streaming em 78 países nos últimos dias.

Com um ritmo acelerado, mas que não perde a mão em quase 2h de duração, o longa conta a história de Enola, interpretada por Millie Bobby Brown, uma jovem às vésperas de completar 16 anos de idade e que se descobre sozinha após o desaparecimento da mãe. Após o ocorrido, ela recorre aos irmãos mais velhos, Sherlock Holmes e Mycroft Holmes, Herry Cavill e Sam Claflin, respectivamente, para buscar ajuda. Os nomes, claro, chamam a atenção logo de cara por serem o retrato dos personagens de Sir Arthur Conan Doyle, responsável pela criação do universo de Sherlock.

roteiro, adaptado do livro publicado pela autora Nancy Springer, usa desse artifício para dar início à história, mas se ancora no nome de personagens como Sherlock para dar peso ao que é contado.Ainda assim, não se engane, o foco é claramente a personagem-título e Mille Bobby Brown não deixa nada a desejar.

Com o carisma sempre aparente diante das câmeras, a jovem consegue concentrar todas as grandes reviravoltas da narrativa sem parecer inadequada ao papel e, além disso, demonstra desenvoltura para as cenas mais elaboradas de ação física.

Em cena

É justamente nesse ponto no qual ficam claros os atifícios utilizados por Harry Bradbeer (Fleabag), diretor da produção audiovisual. Enola é a chave para o tom diferenciado de uma história que se passa em meados de 1800, mas capaz de abordar temas tão importantes para o mundo atual como, por exemplo, o feminismo e os jogos políticos capazes de dar visibilidade aos menos favorecidos. A personagem transmite uma aura de modernidade inconfundível, como se o espírito dela fosse além da época em questão. Some isso a jogos de câmera espirituosos e frases da personagem que poderiam ter sido ditas em qualquer trama contemporânea.

Legenda: Ao longo do filme, Enola é a responsável direta pela quebra da quarta parede, recurso no qual o espectador sente o rompimento do fato de que está apenas assistindo a determinada históriaFoto: divulgação/Netflix

Nesse ponto, também vale ressaltar a utilização da quebra da quarta parede dentro do filme. Utilizando do recurso de maneira inteligente, Bradbeer concede mais um detalhe a ser percebido pelo espectador. Em meio às expressões de Enola e até mesmo dos questionamentos feitos pela protagonista, quem assiste pode se sentir parte do mistério a ser desvendado. O segredo, nesse caso, é o uso do modelo de forma diferente e não exaustiva.

Henry Cavill e Sam Claflin, claro, também somam pontos positivos, ainda que não sejam o grande foco. Confortáveis como Sherlock e Mycroft, ambos representam figuras opostas para Enola e esse embate, um tanto superficial, no entanto, acaba por mover a trama em algumas direções. Não chega a ser um ponto negativo, mas em alguns momentos os fãs do grande detetive podem esperar um pouco mais dos dois personagens. Ainda vale citar a presença de Helena Bonham Carter, que aparece muito pouco, mas representa a força contida na jovem  exploradora.

Legenda: Henry Cavill e Sam Claflin podem não ser os grandes destaques do longa, mas apresentam personagens coesos e demonstram conforto em ambos os papéisFoto: divulgação/Netflix

No fim, o saldo é equilibrado. Mesmo sem grandes atributos ou momentos geniais, “Enola Holmes” constrói um enredo coeso com uma dinâmica única, sempre ágil, capaz de prender o espectador ansioso para descobrir o final da hisória. Na simplicidade da apresentação dos personagens ou na forma de encerrar os arcos, o filme talvez deslize, mas o balanço é de que a diversão por imergir no universo da personagem feminina é positivo.MYLENA GADELHA



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