Interlagos completa 80 anos com incertezas em meio à pandemia

Por Alexandre Mota, alexandre.Mota@svm.Com.Br 00:00 / 12 de Maio de 2020

Com 80 anos de existência, o Autódromo de Interlagos pode não sediar a Fórmula 1 em 2020, devido à pandemia de Covid-19. Até o momento, a prova está marcada para 15 de novembro

No coração do Brasil, o automobilismo se fez morada, de forma eterna. Foi de São Paulo o prelúdio para o crescimento da modalidade. Mais especificamente do Autódromo de Interlagos o caminhar para ascensão da corrida no País. O momento é de reverenciar os 80 anos de quem fez o brasileiro acelerar, vibrar e se emocionar, nos quatro cantos do mundo.

O começo de tudo foi no dia 12 de maio de 1940. Na ocasião, 15 mil espectadores chegaram à pista antes mesmo da organização para acompanhar da chegada dos pilotos à bandeirada final.

Da pista de 7.960 m, viu a extensão cair para 4.325 m a fim de atender aos caprichos da Fórmula 1, principal categoria de velocidade do mundo. Assim, despertou uma paixão nacional ao lado de Ayrton Senna, Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e José Carlos Pace.

O último até originou uma homenagem e mudança no nome do circuito, intitulado então Autódromo José Carlos Pace – desde 1985. Das intempéries dos ciclos temporais, Interlagos se renova e segue pulsante na memória até a próxima largada.

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Senna conquistou uma vitória histórica em Interlagos em 1991FOTO: Getty Images

Grandes pilotos

Foi exatamente no ano de 1972 que os carros da Fórmula 1 vieram a São Paulo para uma prova experimental. Era o prólogo da chegada definitiva da categoria ao Brasil.

No ano seguinte, em 1973, o Autódromo de Interlagos passou a integrar o calendário oficial do Mundial de F-1. Fittipaldi, que corria pela Lotus à época, venceu naquele ano. Duas temporadas depois, em 1975, José Carlos Pace ganhou a prova com Fittipaldi chegando em segundo lugar – motivo de festa e êxtase para a torcida.

Dez anos depois, em 1985, foi o momento de rebatizar o autódromo em homenagem a Pace, que havia morrido em 1977, em acidente de avião.

A história do automobilismo no Brasil passa por Interlagos de forma permanente. O aparelho foi palco da primeira vitória de Ayrton Senna no Brasil, em 1991, com apenas a sexta marcha funcionando. Foi lá também que o inglês Lewis Hamilton levou seu primeiro Mundial de Construtores, no ano de 2008, há mais de 12 anos.

Para além das provas

Fechado agora durante a pandemia do novo coronavírus, Interlagos pode ser usado normalmente pela população para caminhar, correr e andar de bicicleta quando não há competições por lá.

Há também outros eventos, como celebrações religiosas e shows, fazendo dele um espaço multiúso. Em 1999, por exemplo, a banda Kiss fez um show antológico por lá. Um ano depois, o padre Marcelo Rossi levou uma multidão à pista em evento católico. Há menos tempo, em 2014, Interlagos recebeu o Lollapalooza, que integra o calendário de eventos de São Paulo.

Tempo de incertezas

Em meio à pandemia de Covid-19, ainda não há certeza de como será o GP do Brasil deste ano. Depois que muitos grandes prêmios foram cancelados e outros adiados, a tendência é que a prova não tenha torcida. Mas também não é certo ainda nem que ocorra. Tudo dependerá de como a doença evolua em todo o mundo, incluindo o Brasil.

No meio disso, ainda há polêmica em torno de uma possível mudança do GP do Brasil de Interlagos para um novo autódromo que deve ser construído no Rio de Janeiro.

Para tentar evitar isso, o Governo de São Paulo buscar renovar contrato com a direção da F-1 ainda neste mês. “As negociações para renovar o contrato de F-1 estão avançando bem e acreditamos concluir o processo até o fim de maio”, disse o promotor do GP do Brasil, Tamas Rohonyi.

São Paulo pretende pagar como taxa anual de promoção à categoria cerca de US$ 20 milhões (aproximadamente R$ 115 milhões na cotação atual). Os recursos viriam de parceiros comerciais. A organização da F-1 cobra um valor variável para todos os países que sediam suas corridas, mas desde 2017, o Brasil não paga a taxa.

Estimativas da Prefeitura de São Paulo dão conta de que, no ano passado, a prova gerou um impacto positivo de R$ 361 milhões.

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