Mestra Dina apresentará o show virtual “Aboios – O som do sertão” nesta quinta-feira (17)

Escrito por Roberta Souzaroberta.souza@svm.com.br 00:00 / 16 de Dezembro de 2020.

Grupo A Rainha e os Vaqueiros, liderado por ela, gravou 40 minutos de apresentação, que será transmitida às 19h, no canal do YouTube do Theatro José de Alencar

O dia está só começando, mas, do outro lado da linha telefônica, dona Dina Martins avisa que desde às 6h coordena as pessoas que pegarão o carro da Secretaria da Saúde para se deslocarem de Canindé para Fortaleza (117 km). Elas precisam fazer o teste para saber se os sintomas que vêm sentindo correspondem à contaminação pelo novo coronavírus. Em meio a uma pandemia que já levou 78 pessoas a óbito só em seu município e 9.802 em todo Ceará – números obtidos no IntegraSUS até o fechamento desta reportagem -, a vaqueira, aboiadora e Mestra da Cultura é voz de cuidado e resistência.

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“Nós temos que ficar mais em casa, usar máscara, passar bastante álcool, tomar banho direto e não ficar com a mesma roupa”, orienta os moradores “desse sertão tão querido e sofrido”. Mas tem outro “remédio” que a Mestra recomenda para o período: música e poesia para a cabeça. 

É por isso que nesta quinta-feira (17), às 19h, o grupo “A Rainha e os Vaqueiros”, formado por ela e os colegas Edilânio de Freitas, José Marçal, Chico Walter e Moisés Uchoa, acompanhados pelo Mestre Idelbrando (sanfona, zabumba e triângulo) entoarão músicas típicas do cancioneiro cearense, no canal do YouTube do Theatro José de Alencar.

Grupo A Rainha e os Vaqueiros
Legenda: Grupo A Rainha e os Vaqueiros, liderado por Mestra Dina, acumula apresentações por diferentes cidades cearenses

show “Aboios – O som do sertão” foi selecionado pelo edital “Arte em Rede – Convocatória para Seleção de Projetos Artísticos em Formato Digital”, lançado no primeiro semestre deste ano pela Secretaria da Cultura do Estado. A apresentação utiliza a toada como forma de retratar os sons e ritmos do Ceará, intercalados com contos, ‘causos’, versos, poesias, trechos de cordéis e músicas de Luiz Gonzaga. “A cultura anima mais. Têm tantas pessoas tristes, a doença mexe muito com o pensamento, e naquele momento que se começa a cantar, elas tiram aquilo de tempo”, acredita. 

Construção

O grupo apresenta este trabalho desde 2007, acumulando passagens por diferentes cidades e até mesmo na programação cultural da Copa do Mundo 2014, quando fizeram um show para mais de 30 mil pessoas. Tudo que arrecadaram no início foi doado para a Associação dos Vaqueiros, Aboiadores e Pequenos Criadores dos Sertões de Canindé, fundada na década de 1980 por Dona Dina.

Nos últimos seis anos, deram uma pausa, mas não hesitaram em retornar as atividades, mesmo que virtualmente, em 2020. “Tô com 67 anos e eu nunca tive problema. Eu acabo com os problemas! Chuto eles pra bem longe! Não penso nas coisas ruins, só em coisa boa. Nunca baixei minha cabeça. Nós mulheres temos que ser guerreiras”, conclui, certa de que essa pandemia também será vencida.

Serviço

Show Aboios – O Som do Sertão

Nesta quinta-feira (17), às 19h, no YouTube do Theatro José de Alencar (/theatrojosedealencar)

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