O que se sabe até agora sobre o coronavírus, que já contaminou mais de 4,5 mil

Por Verônica Prado e Ingrid Campos, 14:10 / 28 de Janeiro de 2020 ATUALIZADO ÀS 17:29 / 29 DE JANEIRO DE 2020

Até agora, 106 mortes foram confirmadas. No Brasil, Ministério admite primeiro caso suspeito de contaminação


Cobra da espécie ‘Bungarus multicinctus’, comum na China, é apontada como possível vetor do vírus

Com mais de 130 mortes confirmadas e milhares de pessoas infectadas na China e em outros 14 países, o coronavírus está causando pânico mundial. No Brasil, o Ministério da Saúde confirmou, nesta quarta-feira (29), nove casos suspeitos da doença. O Ceará está entre eles com um caso suspeito.

Luiz Henrique Mandetta recomendou que brasileiros só viajem à China em caso de necessidade.

“A gente sabe que é um vírus, um vírus novo. O equilíbrio desse vírus com o organismo das pessoas não está bem-esclarecido. Ele guarda letalidade. Então, não é recomendável que a pessoa se exponha a uma situação dessa e depois retorne ao Brasil e exponha mais pessoas.” 

O que são

Os coronavírus (CoV) são uma grande família viral, conhecidos desde meados dos anos 1960, que causam infecções respiratórias em seres humanos e em animais. Algumas variações do coronavírus podem causar síndromes respiratórias mais graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, sigla em inglês) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers).

Conhecida tecnicamente como 2019-nCoV, ainda não está claro como ocorreu a mutação que permitiu o surgimento do novo vírus. Também não há estatística do tipo e nem da taxa de letalidade. Além disso, os cientistas ainda não estudaram se o 2019-nCoV gera uma resposta imune definitiva ou se uma pessoa pode ser infectada mais de uma vez. 

Desconhecida da comunidade médica, a nova variação do coronavirus já causou a morte de 106 pessoas, infectou mais 4,5 mil pessoas na China e em outros 14 países. 

ORIGEM

O 2019-nCoV ataca gravemente o sistema respiratório e se espalhou a partir da região de Wuhan, metrópole chinesa com 11 milhões de habitantes. A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu o primeiro alerta para a doença em 31 de dezembro de 2019, depois que autoridades chinesas notificaram casos de uma misteriosa pneumonia na cidade de Wuhan. Em 9 de janeiro, um homem de 61 anos morreu na cidade chinesa. O paciente foi hospitalizado com dificuldades de respiração e pneumonia grave, e morreu após uma parada cardíaca. 

Como a epidemia estava atingindo pessoas que tiveram alguma associação a um mercado em Wuhan, especialistas começaram a considerar que a transmissão dessa variação tenha ocorrido pelo contato de humanos com carne de animais silvestres. Uma espécie de cobra chinesa (Bungarus multicinctusutilizada no preparo de sopas na região pode ter sido o agente transmissor. 

CASOS NO BRASIL

O Ministério da Saúde confirmou, nesta quarta-feira (29), nove casos suspeitos da doença. O Ceará está entre eles com um caso suspeito. Na terça-feira (28) a classificação de risco do Brasil passou para o nível 2, que significa “perigo iminente”. Até segunda-feira (27) o País estava em nível 1 de alerta. 

Estados com casos suspeitos

  • MG: 1
  • RJ: 1
  • SC: 2
  • SP: 3
  • PR: 1
  • CE: 1

Dados do coronavírus no Brasil

  • 33 notificações
  • 9 casos suspeitos
  • 0 casos prováveis e confirmados
  • 4 casos descartados
  • 20 excluídos

Transmissão

A transmissão de pessoa para pessoa do vírus foi “provada”. O que ainda precisa ser esclarecido, de acordo com o infectologista Leonardo Weissmann, é a capacidade de transmissão. “O vírus é da mesma família dos coronavírus, mas, por ser novo, não se sabe quão contagioso ele é. Sabemos só que as pessoas foram até o mercado da China. Mas qual é o nível de contágio? Pode ser só via aérea, secreções?”, questiona.

Entre as recomendações para a prevenção de transmissão do vírus os especialistas apontam cuidados básicos, como manter as mãos sempre limpas, lavando-as com frequência; cobrir a boca e o nariz ao espirrar; e cozinhar bem carnes e ovos.


SINTOMAS

Foram identificados sintomas como febre, tosse, dificuldade em respirar e falta de ar. Em casos mais graves, há registro de pneumonia, insuficiência renal e síndrome respiratória aguda grave.

VACINA

Ainda não há vacina disponível. A Coalizão de Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi) – grupo internacional para o controle de doenças – anunciou um fundo para apoiar três programas de desenvolvimento de vacinas contra o 2019-nCoV, o novo coronavírus. A Rússia também informou que busca uma vacina para o vírus. Um grupo de cientistas americanos anunciou que deve começar a testar as vacinas em três meses.

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