Polícia Federal sugere que Justiça do Ceará peça extradição de ‘Fuminho’

Por  Messias Borges , messias.borges@svm.com.br 06:00 / 16 de Abril de 2020

Traficante, braço direito de ‘Marcola’ – o número um do PCC – e acusado de matar ‘Gegê do Mangue’ e ‘Paca’ em Aquiraz, foi preso em Moçambique. Delegado federal espera que o preso revele mais detalhes sobre o crime

Polícia Federal (PF) sugeriu que a Justiça Estadual do Ceará peça a extradição de Gilberto Aparecido dos Santos, o ‘Fuminho’, de 49 anos, às autoridades de Moçambique, na África, onde ele está preso desde a última segunda-feira (13). ‘Fuminho’ é considerado o braço direito do número um da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos William Herbas Camacho, o ‘Marcola’; e o mandante das mortes de Rogério Jeremias de Simone, o ‘Gegê do Mangue’, e Fabiano Alves de Sousa, o ‘Paca’, em Aquiraz, Região Metropolitana de Fortaleza, em fevereiro de 2018.

Um e-mail foi enviado pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), da PF, para a 1ª Vara da Comarca de Aquiraz, na terça (14), com pedido de urgência para a Justiça entrar em contato com o próprio DRCI “para obtenção da lista de documentos exigidos a fim de que possa requerer formalmente a extradição ativa do foragido”, como consta no processo criminal.

Questionada sobre a extradição, a Justiça Estadual respondeu apenas que “dará ciência ao Ministério Público Estadual e à defesa” e, em seguida, “analisará os autos e os requerimentos formulados”. Já o Ministério da Justiça do Brasil informou, sobre o destino do preso, que “o governo brasileiro está em tratativas com autoridades de Moçambique, mas ainda não há prazo para nenhuma ação”. Ainda não há definição se o detento virá para o Ceará ou para um presídio federal de segurança máxima, em outro Estado.

‘Fuminho’ estava foragido há 21 anos, por outros crimes, e integrava as listas dos criminosos mais procurados do Ministério da Justiça e da Difusão Vermelha da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal). Ele foi encontrado em um hotel de Maputo, em Moçambique, em uma megaoperação internacional, que contou com a participação da PF, do Itamaraty, da Drug Enforcement Administration (DEA) – do Departamento de Justiça dos Estados Unidos – e do Departamento de Polícia de Moçambique.

Além do duplo homicídio ocorrido no Ceará, o preso é acusado de tráfico internacional de drogas, roubos a instituições financeiras e de financiamento de um plano de resgate de ‘Marcola’ do sistema penitenciário federal. Com o líder máximo da facção atrás das grades, ‘Fuminho’ era quem comandava as negociações de cocaína da organização criminosa entre os países da América do Sul e enviava a droga até para os Estados Unidos e outros países, segundo as investigações. Antes de partir para a África, ele estaria escondido na Bolívia. A defesa de Gilberto Aparecido dos Santos não foi localizada.

Duplo homicídio

‘Gegê do Mangue’ era uma liderança do PCC abaixo de ‘Marcola’, e ‘Paca’, o braço direito de ‘Gegê’. A dupla foi alvo de uma emboscada, com uso de helicóptero, e morta a tiros em uma aldeia indígena de Aquiraz, no dia 15 de fevereiro de 2018. Um bilhete, encontrado dias depois na Penitenciária Maurício Henrique de Guimarães, a P2, em Presidente Venceslau, São Paulo, começou a desvendar o crime misterioso.

O texto trazia a revelação, feita por Wagner Ferreira da Silva, o ‘Cabelo Duro’, a presos, de que ‘Fuminho’ tinha ordenado a morte dos antigos comparsas, que “estavam roubando”, referindo-se a um suposto desvio de dinheiro do PCC para uma vida de luxo que eles levavam no Ceará. Uma semana depois do duplo homicídio, ‘Cabelo Duro’ – que seria um dos autores do crime – foi executado em frente a um hotel em São Paulo.

Gilberto Aparecido é o quinto acusado de participar das mortes a ser preso, dentre dez. O chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Superintendência Regional da PF no Ceará, delegado Samuel Elânio de Oliveira Júnior, acredita que a detenção de ‘Fuminho’ será importante para a “obtenção de outras informações acerca do crime praticado, as motivações e respectivas participações de todos os envolvidos”.

O delegado espera que a detenção também colabore com “o desmantelamento de uma organização criminosa com atuação em todo Brasil e em diversos outros países”. “Assim como toda prisão de membros de cúpula de organizações criminosas, seja qual for a empreitada criminosa, o resultado prático e efetivo seria a diminuição e até o desmantelamento do fluxo da droga no Brasil”, completa.

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