Próximo da família Bolsonaro, Jorge Oliveira deve assumir Ministério da Justiça

Por Redação, 23:00 / 26 de Abril de 2020

Aliados do presidente dizem que o chefe da Secretaria-Geral da Presidência não queria aceitar o cargo, mas Bolsonaro teria lhe dito que se trata de uma “missão”. Enquanto isso, Celso de Mello pode autorizar, nesta segunda-feira (27), inquérito contra o presidente

Prestes a ser confirmado como novo ministro da Justiça, o atual chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, ministro Jorge Oliveira, postou neste domingo (26) no Twitter uma foto do pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) na sexta-feira (24), logo após a demissão do ex-ministro Sérgio Moro, acompanhada de uma mensagem de apoio ao presidente.

“Juntos com o PR @jairbolsonaro por um Brasil melhor. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos!”, escreveu Oliveira. Bolsonaro deve oficializar Oliveira no lugar de Moro, de acordo com aliados do presidente. Próximo da família Bolsonaro, ele não queria aceitar o cargo, mas o presidente lhe disse que se tratava de uma “missão”, segundo fontes do Palácio do Planalto.

Com a confirmação de Oliveira na Justiça, o atual secretário de Assuntos Estratégicos (SAE), almirante Flávio Rocha, é o mais cotado para assumir como ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência. O delegado Alexandre Ramagem, hoje diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), deve ser confirmado no comando da Polícia Federal, na vaga deixada por Maurício Valeixo.

Integrantes do Planalto, no entanto, disseram que, apesar de o presidente ter tomado a decisão, até a publicação do Diário Oficial da União (DOU) ainda pode haver mudanças. Isso porque, na noite de sexta-feira, as nomeações de Oliveira e Ramagem era consideradas certas, mas Bolsonaro foi aconselhado a repensar pela proximidade de ambos com a família.

Acusações

O presidente foi aconselhado de que nomeá-los neste momento poderia “potencializar” acusações de Moro, que disse que Bolsonaro tentava interferir politicamente na PF e queria ter acesso a relatórios de inteligência.

O próprio chefe da Secretaria-Geral foi um dos que alertaram Bolsonaro para o risco de sua indicação ser encarada como uma comprovação de que as acusações de Moro estavam corretas.

No sábado, auxiliares do presidente tentaram convencê-lo a aceitar o ex-presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), o desembargador Carlos Thompson Flores, como ministro da Justiça. Ele atuou no julgamento que condenou o ex-presidente Lula no caso do sítio de Atibaia (SP).

Outros nomes cogitados foram os do advogado-geral da União, André Luiz Mendonça, e do ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo Ivan Sartori.

Alçado ao cargo de ministro em junho de 2019, Jorge Oliveira iniciou o Governo no comando da Subchefia de Assuntos Jurídicos. Ao chegar à Secretaria-Geral, se tornou um dos mais influentes ministros. Considerado discreto por amigos e “astuto” por críticos, passou também a ser cotado para indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF).

No domingo, no Twitter, Bolsonaro voltou a rebater Moro. “Lamentavelmente, o ex-ministro mentiu sobre interferência na PF. Nenhum superintendente foi trocado por mim. Todos foram indicados pelo próprio ministro ou diretor-geral. Para mim, os bons policiais estão em todo o Brasil, e não apenas em Curitiba, onde trabalhava o então juiz”, escreveu.

Farpas

Em outra rede social, o Facebook, o presidente defendeu o nome de Alexandre Ramagem, que é amigo de seu filho Carlos Bolsonaro, para o comando da Polícia Federal. “E daí? Antes de conhecer meus filhos, eu conheci o Ramagem. Por isso deve ser vetado? Devo escolher alguém amigo de quem?”, respondeu, ao ser questionado por uma mulher.

Moro também voltou ao Twitter, ontem, para apontar que é alvo do que chamou de “campanha de fake news”. “Tenho visto uma campanha de fake news nas redes sociais e em grupos de WhatsApp para me desqualificar. Não me preocupo; já passei por isso durante e depois da Lava Jato. Verdade acima de tudo. Fazer a coisa certa acima de todos”.

De acordo com uma fonte da coluna da jornalista Miriam Leitão no STF, o ministro Celso de Mello deve deferir, hoje, abertura de inquérito para apurar possíveis crimes cometidos pelo presidente denunciados por Moro. Em seguida, o relator marcará diligências.

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