Quem é Joe Biden, nomeado para enfrentar Trump em novembro? Confira perfil

Escrito por AFP, 00:04 / 19 de Agosto de 2020. Atualizado às 00:17 / 19 de Agosto de 2020

Ex-vice de Barack Obama, se vencer, será o presidente mais longevo dos EUA

Joe Biden, um político marcado pela tragédia e no ocaso de uma longa carreira, finalmente conseguiu a nomeação democrata para a candidatura à presidência, apostando que pode conquistar os americanos cansados de Donald Trump.

>Democratas indicam Biden formalmente como candidato

Se o presidente republicano, que representa o oposto a Biden em tudo, levou insolência e atos bombásticos à Casa Branca, Biden oferece a segurança de um autoproclamado conciliador com raízes na classe operário e uma sintonia pessoal com os eleitores.

Com os cabelos grisalhos, sorriso e ar de senador experiente, ele representa a figura de um homem gentil, capaz de devolver a calma a uma nação à beira de um ataque de nervos.

E embora Trump chame Biden “Sleepy Joe” (Joe sonolento), o democrata aposta que, no fim das contas, os americanos não teriam problema em descansar um pouco após um turbulento governo republicano, que acabou com convenções e tratados internacionais.

Trump resume sua política em uma palavra: “vencer, vencer, vencer”.

Biden, que chegou à Convenção Nacional Democrata com sua recentemente anunciada candidata à vice-presidente, Kamala Harris, afirma buscar algo mais profundo: “Uma batalha pela alma dos Estados Unidos”.

“As famílias trabalhadoras precisam de alguém a seu lado… porque certamente não tem ninguém a seu lado com este presidente”, disse Biden. “Isto vai mudar na administração Biden-Harris”.

Um longo caminho 

Trump tem 74 anos, mas Biden completará 78 pouco depois da eleição de novembro. Em caso de vitória, ele será o presidente mais velho a chegar à Casa Branca.

No início de sua carreira no Congresso, no entanto, Biden chegou ao Senado americano como um dos parlamentares mais jovens da história do país.

Depois de três décadas no Capitólio, durante oito anos foi o vice-presidente de Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

Biden, parte da história americana, acumulou alguns contratempos ao lado de suas vitórias, em particular duas tentativas fracassadas de candidatura à presidência, em 1988 e 2008.

Inclusive na atual disputa ele começou mal, com derrotas nas primárias para o senador esquerdista Bernie Sanders em Iowa, New Hampshire e Nevada.

Mas se recuperou com uma grande vitória na Carolina do Sul, graças ao apoio dos afro-americanos, uma base eleitoral fundamental dos democratas.

Um lado humano

A mensagem de Biden está construída em boa parte sobre sua associação com Obama, que mantém grande popularidade, e em sua proposta de uma política de moderação em um momento de grande divisão. 

Mas ele se destaca ao exibir seu lado humano, em profundo contraste com o estilo de Trump, que se apresenta como um conquistador que nunca hesita e se considera capas de tudo.

Em 1972, a primeira esposa de Biden, Neilia Hunter, e a filha de um ano do casal, Naomi, morreram em um acidente de carro quando faziam compras de Natal, poucas semanas depois de sua vitória na eleição para o Senado por Delaware.

A tragédia deixou seus filhos Beau, de 4 anos, e Hunter, de 2, com ferimentos graves. Biden, que tinha 30 anos, fez o juramento como senador ao lado de suas camas no hospital.

Em 1975, Biden conheceu Jill Jacobs, uma professora da Pensilvânia. Se casaram dois anos depois e tiveram uma filha, Ashley.

Os filhos se recuperaram do acidente e Beau seguiu os passos do pai na política, chegando a ocupar o cargo de procurador-geral de Delaware. Ele almejava disputar o governo do estado, mas faleceu aos 46 anos, vítima de câncer cerebral, em 2015.

A coragem desse profundo conhecedor dos bastidores de Washington causou impacto em muitos americanos, inclusive entre aqueles com empregos mais humildes.

No início de abril, durante uma sessão perguntas e respostas com simpatizantes, Biden fez um comentário sobre a força de espírito e citou o primeiro-ministro britânico durante a Segunda Guerra Mundial, Winston Churchill: “Se você está atravessando o inferno, não pare”.

O outro filho

Biden conta as histórias de família com tanta frequência que, apesar da evidente dor, se transformaram em parte de sua marca política. Mas Hunter, o filho mais novo, é outra história. 

Com uma carreira acidentada como advogado e lobista, Hunter conseguiu entrar na diretoria de uma empresa de gás ucraniana acusada de corrupção quando Biden era vice-presidente.

Trump pressionou a Ucrânia no ano passado a investigar Hunter com a intenção de atacar a candidatura de Biden, mas isto provocou um julgamento político contra o presidente.

Depois que o tema do filho de Biden perdeu força, Trump se concentrou no que considera o frágil estado mental do rival democrata, ao mesmo tempo que elogia suas próprias capacidades, incluindo a forma como “superou” um teste cognitivo.

“Por que diabos eu faria um teste?”, respondeu Biden ao ser questionado este mês por um repórter. 

“Tio Joe”

Joseph Robinette Biden Jr nasceu em 20 de novembro de 1942 e cresceu em Scranton, Pensilvânia, em uma família católica irlandesa. Seu pai era vendedor de carros. 

Biden tem orgulho de suas raízes da classe trabalhadora e recorda que quando era criança teve problemas por uma forte gagueira.

Ele superou a condição e passou a considerá-la uma bênção que permitiu “compreender a dor de outras pessoas”. 

Conhecido como “tio Joe”, Biden é famoso por suas manias folclóricas. Mas também por sua propensão a cometer gafes em público e suas divagações, que geram dúvidas sobre sua capacidade.

A longa carreira política de Biden permite que Trump encontre erros e momentos vergonhosos em sua vida, mas a trajetória de décadas também proporciona uma vantagem: resta pouca roupa suja para revelar e, em um momento turbulento, sua experiência pode ser algo atraente.

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