Reinserção melhora qualidade de vida dos transplantados

Escrito por Universidade de Fortaleza, 07:00 / 25 de Setembro de 2020.

Pacientes relatam exemplos de otimismo para voltarem ao mercado de trabalho e ao convívio social. Fim do preconceito é chave para novas oportunidades.

Na história de superação de uma pessoa transplantada, a etapa da reinserção social e laboral é um capítulo à parte. Isso porque, além de viver anos de sofrimento em uma fila à espera de um órgão, muitos pacientes crônicos relatam a dificuldade de voltar ao mercado de trabalho e ao convívio social.[

Edson Arakaki
Legenda: Edson Arakaki: a prática de uma atividade física libera substâncias que proporcionam uma sensação de bem-estar, além de ser um estímulo à superação, à socialização e à sensação de pertencimento.Foto: Divulgação

A doença crônica fragiliza a pessoa não só fisicamente, como mental e emocionalmente. Como explica o médico gastroenterologista Edson Arakaki, transplantado renal há 19 anos e Presidente da Associação Brasileira de Transplantados (ABTx), dependendo do tempo de exposição a este sofrimento, o senso de valor e a autoestima do paciente também se fragilizam.  “Isso pode ser interiorizado não só pela pessoa, que pode passar a sentir-se ‘menos’ do que realmente é, mas também pela sociedade”, observa o médico.

O desafio também existe no âmbito social, já que o convívio fica, muitas vezes, restrito à família ou a um cuidador. E quando se fala em reinserção laboral, a dificuldade está associada ao preconceito de alguns empregadores em relação à capacidade do transplantado. “Entre os cadastrados da ABTx temos relatos de preconceito em várias etapas do processo seletivo: na entrevista, no exame admissional e na conversa com o RH”, afirma Edson Arakaki.

Para o médico, o desconhecimento ou as ideias pré-concebidas sobre o que o transplantado pode ou não pode fazer estão associados ao preconceito. “O tempo que o transplantado ficou na fila de espera pelo órgão, a idade e seu nível educacional podem influenciar na reinserção”, acrescenta.

Esporte como aliado

O que pode contribuir muito nesse processo é a prática de atividades físicas e o esporte. “A prática de atividades físicas libera substâncias que proporcionam sensação de bem-estar, além de ser um estímulo à superação, à socialização e à sensação de pertencimento”, afirma Edson Arakaki, também atleta e incentivador do esporte na vida dos transplantados. “A ABTx acredita que a atividade física e o esporte podem ajudar o transplantado a elevar sua autoestima”, afirma.

Cerca de 40% dos associados da ABTx participam das ações esportivas promovidas pela entidade. Em 2019, a ABTx organizou os I Jogos Brasileiros de Transplantados, com a finalidade de estimular a prática esportiva entre os transplantados e divulgar a doação de órgãos e tecidos.

História real

Mesmo na fila de espera por um fígado, o engenheiro Eduardo Mota Pinheiro, de 67 anos, não deixou a prática de futebol. Transplantado há seis anos, Eduardo conta que manteve o esporte, o lazer e a presença dos amigos durante o tratamento, o que contribuiu para uma reinserção social menos dolorosa. “Não houve quebra no processo social, apenas afastamento por três meses após o transplante, o que classifico como uma pausa para retomada de fôlego para uma vida nova”, conta.

Eduardo descobriu que era portador de Hepatite C em 2003. Com o agravamento do quadro, entrou na fila do transplante, que durou cinco anos até ser operado, em 2014.  “Apesar da saúde fragilizada, não me deixei abater e sempre acreditei em Deus”, diz.

Com o apoio da família, sem focar muito na doença, seguiu trabalhando de forma autônoma. “Fiquei fora do mercado por alguns meses, mas retornei sem dificuldades. Destaco que após o transplante, com a saúde restabelecida, me senti mais encorajado e disposto para enfrentar os desafios da profissão”, afirma o engenheiro. “Você deve ser o primeiro a confiar no seu potencial e não desistir”, incentiva.

Qualidade de vida

Sentir-se parte dos ciclos sociais e estar de volta ao mercado de trabalho são conquistas na história de pessoas transplantadas. Para muitos, retornar aos papeis sociais e profissionais é uma questão de qualidade de vida. “O mundo valoriza muito o trabalho, portanto quem não trabalha é percebido como uma pessoa que não tem papel social. Neste sentido, a reinserção pode melhorar a qualidade de vida. A sensação de ser reintegrado à sociedade também pode melhorar esta percepção. Por isso devemos chamar a atenção da sociedade para este tema”, defende Edson Arakaki.

A próxima live da campanha Doe de Coração será no dia 29 (terça-feira), às 19 horas, com o tema: “Resultados da campanha Doe de Coração e perspectivas da doação de órgãos e tecidos no Ceará”, tendo como convidadas Polianna Lemos, coordenadora da Campanha Doe de Coração, e Eliana Régia Barbosa, coordenadora da Central Estadual de Transplantes do Ceará. A transmissão será pelos canais da Universidade de Fortaleza no YouTube e no Facebook, além da TV Unifor.

DOE DE CORAÇÃO 2020

Live: “Resultados da campanha Doe de Coração e perspectivas da doação de órgãos e tecidos no Ceará”

29 de setembro de 2020, às 19 horas

Youtube.com/tvunifor [1]
Facebook.com/uniforoficial [2]
TV Unifor (canal 181 da NET)

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